03.05.17

Ferramenta propõe inovações no estudo da moda para pessoas com deficiência


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Por Carolina Seixas

pesquisa1-03.05.17A mestra em Design Gabriela Yoshie Nakayama desenvolveu uma ferramenta metodológica que promete inovar na área acadêmica do design de moda, mais especificamente na criação de produtos direcionados a pessoas com mobilidade reduzida. Submetida ao Programa de Pós-Graduação em Design da UFPE, em julho de 2016, a dissertação "Desenvolvimento de produtos de moda para pessoas com mobilidade reduzida: ferramenta metodológica pautada na ergonomia" foi orientada pela professora Laura Bezerra Martins e coorientada pela professora Suzana Barreto Martins.

A proposta de Gabriela foi, ao invés de desenvolver uma linha de roupas para esse público, propor uma ferramenta que permitisse aos graduandos de moda adquirir capacidade de atender às necessidades dele. "Algo que ajudasse os designers de moda, no processo projetual, a desenvolver para esse público, a estabelecer quais pontos eu preciso pesar se eu estou tratando de uma restrição de mobilidade, de uma pessoa que está numa cadeira de rodas ou que usa uma muleta", explica a pesquisadora.

A iniciativa partiu do vislumbre não só de um mercado mal preparado nesse âmbito, mas de uma carência desde a parte do ensino. "Existe uma falta de se pensar em ergonomia; faltava pensar a moda sob um ponto de vista menos estético, mas de conforto, de autonomia, que é poder fazer com que a pessoa realmente se sinta bem dentro daquela peça, com maior possibilidade de independência, pois a inclusão está bem contemplada na lei, mas no dia a dia, para uma coisa tão simples que é o vestuário, ela não está aplicada", justifica.

IMAGEM | A pesquisadora revela que se inspirou no trabalho de Kica de Castro, fotógrafa de São Paulo que tem uma agência de modelos com deficiência. O trabalho de Fátima Grave, que é uma das poucas pesquisadoras da área acadêmica da moda voltada para o público com deficiência, também serviu como uma referência para a pesquisa. Como método para concretizar o estudo, Gabriela tomou como base trabalhos de pesquisadores que tiveram contato direto com o público. "A pesquisa de campo de outros acabou me ajudando a chegar na minha metodologia que é focar não no público, mas em quem está criando para esse público".

A metodologia de Nakayama já está sendo colocada em prática por ela mesma, no seu curso de Doutorado na área de Ergonomia, também pela UFPE. A agora doutoranda está aplicando em sala de aula a proposta didática da pesquisa, experimentando a habilidade de seus alunos graduandos de Design em corresponder, no produto final, aos anseios do público. Gabriela adianta que pretende trabalhar com uma maior abordagem estética e trazer também o conforto visual para a ferramenta metodológica desenvolvida por ela mesma.

 

 

Público-alvo demanda critérios específicos


pesquisa203.05.17A metodologia desenvolvida por Gabriela Yoshie Nakayama para o desenvolvimento de vestuário destinado a pessoas com deficiência visa trazer mais objetividade ao processo projetual, focando, sim, na questão estética, "mas estabelecendo pesos relevantes para questões práticas do produto", como destaca a designer. A pesquisa, segundo Gabriela, foi norteada nos âmbitos específicos dos aportes metodológicos da moda, das questões ergonômicas no projeto de produtos e das necessidades do público com mobilidade reduzida no que tange o vestir.

E, como requisitos próprios para a metodologia, ela aponta que eles se diferenciam desde a definição do público: "Levando em consideração o nível de autonomia do usuário para se vestir, se a redução da mobilidade é permanente ou temporária, se é usada tecnologia assistiva e qual (muleta, cadeira de rodas ou próteses) e se existe sensibilidade nos membros, áreas do corpo com atrito constante ou zonas de pressão." Os demais requisitos procuram atender aos critérios de facilidade no ato de vestir e desvestir, modelagem intuitiva e de fácil manuseio, conforto do tecido e conforto térmico, flexibilidade do material para maior mobilidade e facilidade no manuseio de botões, zíperes, elástico e velcros.

"Outros fatores a se considerar são os movimentos e as posições estáticas mais frequentes do usuário, bem como o ajuste da peça ao corpo (tanto estático quanto dinâmico), o tensionamento e relaxamento de determinadas partes do corpo, os pontos de equilíbrio etc", explica a pesquisadora. É importante, também, alerta Gabriela, evitar elementos secundários desnecessários que possam provocar desconforto (bolsos, aplicações ou recortes), e deve-se avaliar se as características estéticas são condizentes com o estilo do usuário da peça. "Também são avaliadas questões da etapa de finalização do produto, como a facilidade no processo de confecção e uma boa relação custo x benefício", destaca.

Mais informações

Programa de Pós-Graduação em Design
(81) 2126.8907
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Gabriela Nakayama
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