19.06.17

Tese descreve perfil clínico de crianças e adolescentes com doenças inflamatórias intestinais


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A doutoranda Michela Cynthia da Rocha Marmo defende a tese “Dos aspectos clínicos às características genéticas: avaliação de crianças e adolescentes com doenças inflamatórias intestinais” amanhã (20), às 14h, no prédio das pós-graduações do Centro de Ciências da Saúde (CCS), no 1º andar. Ela foi orientada pela professora Gisélia Alves Pontes da Silva e coorientada por Kátia Galeão Brandt no Programa de Pós Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente (PPGSCA).

O estudo teve como objetivo descrever o perfil clínico das crianças e adolescentes com diagnóstico de DII atendidas no Serviço de Gastroenterologia Pediátrica do IMIP; avaliar o status inflamatório dos pacientes a partir de biomarcadores sanguíneos, macro e microscópicos e moleculares; e verificar a presença de polimorfismos genéticos associados à DII descritos na literatura na nossa casuística.

Além da orientadora, compõem a banca examinadora os professores Margarida Maria de Castro Antunes (Departamento Materno-Infantil), Maria das Graças Moura Lins (Serviço de Pediatria do Hospital das Clínicas da UFPE), Mariana Montenegro de Melo Lira (Departamento de Patologia) e Carlos Alexandre Antunes de Brito (Departamento de Clínica Médica). A pesquisa foi realizada na área de concentração “Abordagens quantitativas em saúde”.

Resumo
Introdução: O processo inflamatório nas Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) é resultante de uma desordem na modulação do sistema imunológico intestinal envolvendo diferentes fatores entre os quais os polimorfismos genéticos, o ambiente e a microbiota intestinal. Diante da diversidade de fenótipos da doença e os mecanismos patogênicos envolvidos, torna-se um desafio interpretar os achados clínicos e os exames complementares. Objetivos: descrever o perfil clínico das crianças e adolescentes com diagnóstico de DII atendidas no Serviço de Gastroenterologia Pediátrica do Imip; avaliar o status inflamatório dos pacientes a partir de biomarcadores sanguíneos, macro e microscópicos e moleculares; verificar a presença de polimorfismos genéticos associados à DII descritos na literatura na nossa casuística. Métodos: foi realizado um estudo do tipo série de casos com crianças e adolescentes portadoras de Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RU). Dados demográficos, clínicos e antropométricos foram obtidos através de entrevistas com os responsáveis, revisão de prontuários e exames clínicos. A atividade inflamatória foi realizada através de exames laboratoriais, endoscópico, histopatológico e molecular. Avaliou-se a presença de polimorfismos genéticos associados a DII do NOD2, IL10, IL10RA e IL10RB e a expressão do RNA destes genes na mucosa intestinal. Resultados: dos 66 pacientes incluídos no estudo, 37,9% tinham o diagnóstico de DC e 62,1% de RU, sendo 56% e 19,5% dos casos de DC e RU em menores de dois anos (Infantil). Quando avaliados pelos índices de atividade inflamatória (PUCAI para RU e PCDAI para DC), encontrou-se 65,1% (43/66) dos pacientes em remissão da DII. Dos pacientes com DC Infantil constatou-se a presença de fístulas e/ou estenoses em 71,4% dos casos. Os pacientes com DC apresentaram sintomas (mediana de 12 meses) e tiveram o diagnóstico firmado (mediana de 60 meses) mais precoce. Nos pacientes estudados, a diarreia foi o sintoma mais frequente. A concomitância de atividade inflamatória clínica/atividade inflamatória laboratorial e de atividade inflamatória clínica/atividade inflamatória histológica foi 83,3% na DC e 77,8% na RU. A presença de atividade inflamatória clínica associada ao aumento de PCR e/ou VHS foi de 83,3% na DC e de 66,7% na RU. O perfil de citocinas apresentado pelos pacientes, que tinham diferentes fenótipos clínicos, tempo de doença e esquemas terapêuticos foi variável e não caracterizou um padrão. Em 35 pacientes foram identificados polimorfismos para os genes da IL10, dos receptores da IL10 (IL10RA e IL10R) e do NOD2. Conclusões: o fenótipo compatível com RU predominou neste estudo. A DII infantil, de início antes de dois anos de idade, foi parte importante da casuística. Os casos de DC tiveram evolução mais agressiva. A avaliação da atividade inflamatória através dos dados clínicos, laboratoriais e endoscópicos mostrou coerência. A avaliação molecular, pela sua diversidade, é de difícil interpretação e não nos pareceu colaborar para refinar a avaliação tradicional. Os pacientes apresentaram diversos polimorfismos genéticos, mas essa avaliação não parece contribuir para o diagnóstico ou nortear a terapia.

Mais informações
PPGSCA
(81) 2126.8514
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