Produtividade é desafio para o Brasil, avalia Meirelles

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Fonte: Estadão, publicado em 31/07/2012

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS - Agencia Estado

SÃO PAULO - Aumentar produtividade é o desafio da economia brasileira daqui para frente. A avaliação é do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, apresentada durante evento organizado nesta terça-feira pela FTI Consulting, na capital paulista, sobre perspectivas para este segundo semestre. "Entramos na fase em que o desafio é a produtividade, que é a prioridade nacional, como a Educação e a desoneração dos custos das empresas para induzir investimento."

De acordo com Meirelles, a economia do País entrou em um novo ciclo com a estabilização na década de 1990, a taxa média de crescimento aumentando e o índice de desemprego recuando de um patamar de 13%. Mais recentemente, no ambiente da crise de 2008, iniciada com a quebra do Bear Stearns em março, e que evoluiu para a quebra do Lehman Brothers em setembro do mesmo ano, o Brasil soube contornar os efeitos da escassez de crédito concedendo financiamentos internamente.

Com o desemprego caindo para a taxa de quase pleno emprego, a economia brasileira, na visão de Meirelles, usufrui do bônus da estabilidade. Segundo ele, O Brasil passará agora a crescer a uma taxa menor e o mercado de trabalho não deverá mais se expandir a taxas tão expressivas. Além disso, o economista prevê queda no fluxo de capital, afetando o mundo e o Brasil ainda que de forma menos aguda.

Perspectivas

Para Meirelles, "o fato de termos que enfrentar um desafio agora não quer dizer que voltaremos atrás". Ele mencionou que o País tem hoje cerca de US$ 360 bilhões em reservas internacionais e a dívida cambial doméstica é quase inexistente. "O Brasil tem dívida pública externa substancialmente inferior às reservas. Temos trajetória de inflação ancorada. Então, a realidade do País é diferente."

A discussão atual, comenta Meirelles, foca na taxa de crescimento maior. "A taxa de crescimento hoje é de em torno de 2,5%. Uns falam mais outros menos. Para o ano que vem, em torno de 4%. A questão é qual taxa é sustentável. Faz diferença se situar em uma taxa de 3,5% ou 4,5%."

O economista acredita que é preciso separar os canais de transmissão da crise em fatores globais (conjunturais) e domésticos (estruturais). Quanto à China, o ex-presidente do BC sustenta que o gigante asiático está engajado em substituir o modelo de exportação por investimentos e aumento do consumo interno, o que afetará um pouco o Brasil. Em 2008, lembra Meirelles, ao contrário do México, que dependia quase exclusivamente dos Estados Unidos para exportar, o Brasil não foi tão pressionado pela crise porque suas vendas para o EUA estavam caindo, enquanto os embarques para a China aumentavam. Ele reitera que "isso agora vai diminuir".

 

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