17/06/2011 - Mudanças climáticas globais: Por que devemos nos preocupar? - Prof. Carlos Nobre - (INPE e Seped - MCT)

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O aquecimento global tem se acelerado nas últimas décadas, acompanhado de elevação significativa do nível do mar e intensificação dos eventos climáticos extremos, como secas, chuvas intensas, furacões etc., e esta questão é indubitavelmente o maior desafio ambiental global enfrentado pela humanidade. Ainda que haja, no Brasil, uma crônica escassez de séries históricas de dados meteorológicos e climáticos, o que nos permitiria afirmar se os extremos já estão ocorrendo com maior frequência, há várias evidências circunstanciais de que este provavelmente é o caso. Devemos recordar, para começar, que mudanças das características de extremos climáticos deflagradores de desastres naturais não se devem somente ao aquecimento global de origem antropogênica. Episódios de chuvas mais intensas vêm ocorrendo sistematicamente no Sudeste e Sul do Brasil, sendo um dos elementos a compor o aumento dos desastres naturais observados. Uma pergunta relevante diz respeito a formas de adaptação a estes desastres naturais ou mesmo se a sociedade esta consciente sobre a necessidade de adaptação. As mudanças climáticas também se fazem sentir no Brasil, onde a temperatura média subiu cerca de 0,75° C e a temperatura mínima subiu quase 1° C nos últimos 50 anos e o nível do mar se elevou quase 20 cm durante o Século XX. O Brasil é potencialmente muito vulnerável a mudanças climáticas, mas pouco conhecemos os impactos das mudanças climáticas no país. Além disso, falta identificar de forma precisa nossas vulnerabilidades na agricultura, nas zonas costeiras, na saúde humana, nos recursos hídricos, nas energias renováveis, nos ecossistemas naturais e biodiversidade, nas grandes cidades e na indústria. No campo da mitigação dos gases de efeito estufa, a grande contribuição que o Brasil pode dar ao esforço mundial de estabilizar suas concentrações atmosféricas em níveis considerados menos "perigosos", deve obrigatoriamente se dar pela redução significativa das emissões provenientes dos desmatamentos da floresta tropical e dos cerrado. O país pode escolher uma trajetória de desenvolvimento limpo e tornar-se uma verdadeira "potência ambiental", isto é, um país de economia de base de recursos naturais, mas apresentando um padrão de emissões muito baixo.