Quase um mês após incêndio, lojistas começam a ter previsão de liberação de rua no Centro do Recife |
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12.06.2025 Quase um mês após o incêndio que atingiu três imóveis da Rua Direita, no bairro de São José, Centro do Recife, os comerciantes começam a ter previsão para liberação da área e volta da circulação de pessoas. Durante o Debate da Super Manhã, na Rádio Jornal, o secretário-executivo de Defesa Civil do Recife, Cel. Cássio Sinomar explicou que a área ainda está interditada porque uma fachada está solta e “o desabamento está visível, pode cair e matar alguém”. De acordo com ele, é necessária a realização de um escoramento para eliminar o risco e, então, liberar a rua para os comerciantes e pedestres. O secretário-executivo destacou que na última segunda-feira (9), em reunião com a Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL Recife), um projetista fez um esboço que deve ficar pronto em 5 dias para análise da Prefeitura do Recife e liberação da região “o mais rápido possível”. Sinomar reforça que a população pode acionar a Defesa Civil do Recife pelo telefone 0800.081.3400 para solicitar vistorias e alertar possíveis riscos em imóveis da cidade. No dia 16 de maio, um incêndio atingiu o histórico prédio do Cine Glória, um edifício vizinho e outros imóveis na Rua Direita. Com os bloqueios na região, lojistas têm se preocupado com as vendas e os empregos dos colaboradores. O diretor da Loja Futurista, que foi atingida por um incêndio em outubro de 2024, Claudio Miano, pontuou que a proximidade de todas as lojas acaba impactando os negócios do entorno. “Talvez a maior dificuldade nesse momento seja reunir todos os interessados em um bem comum que é a preservação do patrimônio histórico e a continuidade dos negócios dos quais dependem muitas famílias”, pontuou. Para ele, as iniciativas isoladas dos lojistas ainda não são o suficiente para reestruturar o centro histórico do Recife. “Talvez esses acontecimentos todos motivem para que exista uma união maior entre os empresários e os órgãos envolvidos na fiscalização e na prevenção”, afirmou. Comerciantes afetados “O maior prejudicado é o comércio ao redor. Não estou podendo abrir e não dão previsão ou algum benefício. Nenhum órgão oficial de governo ou da prefeitura se compromete a resolver o problema. Dizem que tem que ter um projeto para escorar a fachada do prédio que sofreu o incêndio, mas quem vai fazer esse projeto?”, questionou. O dono de uma loja de calçados, o empresário João Maciel, de 46 anos, também foi prejudicado pela interdição. Apesar de seu comércio não ter sido interditado, ele conta que o movimento diminuiu na rua e prejudicou as vendas. “Ninguém resolve nada e a gente está à mercê. A gente tem um monte de obrigação para pagar e caiu 80% das vendas. Vai ser difícil manter a folha salarial dos empregados e a gente não tem previsão de quando vai voltar ao normal”, lamentou. Preservação do centro do Recife A respeito da necessidade de preservação do centro da cidade, o arquiteto e urbanista, professor e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador geral do Projeto Recife Cidade Parque, Roberto Montezuma, afirmou que sem cuidado, a região pode passar por desmonte. “A cidade é um patrimônio, um organismo vivo, e como um organismo vivo, ela tem que ser cuidada”, ressaltou. |