UFPE – HC é primeiro hospital do SUS em Pernambuco a realizar procedimento cardiológico raro |
|
|
|
|
04.06.2025 “Já consigo me sentir melhor e menos cansada”, relata a dona de casa Vandilma Queiroz, de 64 anos, quatro dias após ter se tornado a primeira paciente do Hospital das Clínicas da UFPE a realizar o implante de um sistema de válvulas cardíacas, chamado Bicaval Transcateter TricValve. Inédito no SUS em Pernambuco, o procedimento é uma opção de tratamento para a insuficiência tricúspide, caso de Vandilma. A paciente passou pelo procedimento na última sexta-feira (dia 23), na Unidade de Hemodinâmica do HC, hospital que é vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). “Vandilma está reagindo bem. Esse é um procedimento relativamente novo que tem apresentado bons resultados documentados em estudos, como a melhora dos sintomas, a redução da recorrência de internamentos e agora está sendo avaliada a possibilidade de redução de mortalidade dos pacientes”, comenta o cardiologista intervencionista do HC, Edgard Victor Filho, que realizou o procedimento, ao lado de uma equipe composta por profissionais e residentes de Cardiologia, Ecocardiografia e Anestesiologia e equipe de enfermagem. O quadro clínico de pacientes com a insuficiência tricúspide é caracterizado por sintomas como fadiga, dispneia (falta de ar), edema (inchaço) nas pernas, distensão abdominal, além de sinais como pulsação jugular proeminente e aumento do fígado. “Ao ver minha jugular pulsando, minha netinha disse que parecia que ‘o coração estava no pescoço’. Hoje estou bem”, diz Vandilma, que se trata no HC e no Procape (Pronto Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco) desde 2021. Esse tipo de insuficiência atinge 1% da população. “A prevalência aumenta com a idade e nos pacientes que apresentam outras doenças valvares, como insuficiência mitral ou estenose aórtica. Causando internações repetidas por insuficiência cardíaca”, explica a ecocardiografista do HC Lúcia Salerno, que conseguiu a doação desse sistema de válvulas junto à empresa fabricante. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em maio de 2023, o sistema ainda não entrou na tabela de procedimentos e materiais do SUS. “Em participações em Congressos, conheci esse procedimento e os representantes da empresa. Solicitei a doação ao HC, e eles não pouparam esforços para que, após a seleção da paciente acompanhada pela cardiologista Catarina Porto, o procedimento fosse realizado. Nosso objetivo foi proporcionar ao paciente do SUS o acesso a uma nova tecnologia e treinar a nossa equipe”, relata Lúcia Salerno. Considerado ainda raro, o procedimento foi gravado para ser apresentado no Congresso Norte/Nordeste de Cardiologia, de 31 de julho a 2 de agosto, em São Luís, capital maranhense. “No Brasil, foram implantadas essas próteses em 100 pacientes (dez deles em Pernambuco)”, afirma Salerno. O procedimento O tempo de implante varia de 30 a 45 minutos, semelhante ao de stents autoexpansíveis. “O nosso procedimento durou um pouco mais, cerca de duas horas porque havia paradas para explicações sobre o passo a passo e troca de ideias com a equipe”, diz Edgard Victor, que falou sobre a possibilidade de o procedimento gerar um artigo científico a ser publicado em revista especializada. “Os estudos sobre esse procedimento são majoritariamente feitos na América do Norte e Europa”, pontua Victor. Lúcia Salerno explica que o tratamento da insuficiência tricúspide tem três possibilidades. “A substituição da valva por cirurgia; o reparo da valva por cateterismo com o Triclip; e, nos casos de anatomia desfavorável em pacientes de alto risco, o implante percutâneo da TricValve para diminuir a repercussão da insuficiência tricúspide nos tecidos”, comenta a ecocardiografista. Sobre a Ebserh Fonte: UFPE |