Frente tem que ser ainda mais ampla em 2026, crava Luciana |
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Frente tem que ser ainda mais ampla em 2026, crava Luciana
Política
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Frente tem que ser ainda mais ampla em 2026, crava Luciana
POR MANOEL GUIMARÃES ESPECIAL PARA A FOLHA
A presidente nacional do PCdoB e ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, prevê um cenário difícil para as eleições de 2026. Ela defende que o governo precisa fazer uma frente ainda mais ampla que a de 2022, incluindo setores que não estavam junto a Lula naquele ano. Todavia, avalia que “não tem porquê” retirar o vicepresidente Geraldo Alckmin (PSB) da chapa à reeleição, como sugerem rumores para abrigar legendas ao centro, que ameaçam romper com o governo. Em entrevista ao podcast “Direto de Brasília”, apresentado por Magno Martins, Luciana também fez um balanço dos desafios à frente da pasta e falou das incertezas diante do iminente tarifaço de Donald Trump.
Como têm sido esses anos como ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação?
Infelizmente, a infraestrutura da pesquisa brasileira é muito concentrada no Sul e Sudeste. Como nordestina, tenho que enfrentar a desigualdade regional. Recuperamos dez programas através do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e na maioria deles temos um corte regional. A gente exige que se tenha 30% dos editais para o Centro-Oeste, Norte e Nordeste. E para nossa alegria chegamos a atingir os 40%. Pernambuco, por exemplo, teve apoio de mais R$ 10 milhões para o parque tecnológico da UFPE, ampliamos os centros de inovação. Nesses dois anos e meio, aumentamos em 3,5 vezes mais os investimentos em Pernambuco comparados aos quatro anos do governo anterior.
Há um entendimento de que a sociedade é digital, mas o governo é analógico. Como tem sido esse processo de digitalização dos serviços públicos?
Essa é uma preocupação central do presidente Lula. Ele diz que não é possível que não se tenha convergência dos dados, uma interoperabilidade, que passa inclusive pela inteligência artificial. O Brasil tem dados muito cobiçados pelas bigtechs, como o SUS, as universidades, a Embrapa. Na semana passada a ministra Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos) lançou o programa da transformação digital governamental. Estamos totalmente integrados a esse esforço, desde financiar uma melhoria computacional do Dataprev, Serpro e Datasus. A ideia é a convergência. Porque tem dados do Cadastro Único, e se você digitaliza, se você tem os dados concentrados num ambiente só, se integrando, melhora a eficiência, o tempo e a qualidade do serviço público
Como estão trabalhando a questão do tarifaço? Qual o impacto no setor de ciência e tecnologia?
Ainda estamos numa verdadeira força tarefa. Quanto mais sofisticado é o produto ou serviço, mais dependência o mundo tem dos Estados Unidos. Temos uma dependência muito forte na área dos insumos de tecnologia da informação (TI). Tudo que tem valor agregado tem impacto grande na área do que vem de lá para cá. Em pesquisa e desenvolvimento, tem muita coisa que para acontecer precisamos trazer insumos de lá.
Como avalia o papel do vicepresidente Geraldo Alckmin nas negociações?
O presidente Lula acertou em cheio colocando Alckmin como líder dessa negociação. E o Congresso, apesar de não termos maioria, desde o anúncio do tarifaço, aprovou no mesmo dia a Lei de Reciprocidade, demonstrando altivez, e espírito que nos fortalece. Acho que Alckmin está cumprindo um papel extraordinário. Historicamente atuamos em campos distintos, fui conhecê-lo somente na pré-campanha, e agora ele como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, temos um grande afinamento. Ele é extremamente gentil.
Isso o cacifa para ser mantido na chapa, para o ano que vem?
De nossa parte, não temos nenhum senão sobre essa possibilidade. Não vai ser simples lá na frente, depende da situação, tem muito debate, os cenários mudam rápido.
Mas esse seria o melhor caminho?
Acho que o melhor caminho é aquilo que ganha a eleição. Na fotografia de hoje, não se tem dúvida do peso de Alckmin. Ele é leal, conduz as coisas do governo. O presidente Lula delegou a ele a coisa mais importante que é essa negociação. A princípio, não tem porquê não ser o Geraldo na vice.
Tem como manter a frente ampla de 2022 para 2026?
Nosso partido foi protagonista da defesa da frente ampla. Alguns setores tinham resistência a Geraldo Alckmin. Defendemos essa necessidade, porque ele é o símbolo dessa frente ampla, que abriu alas para as composições que foram feitas. E ela terá que ser ainda mais ampla para a gente ganhar as eleições de 2026. Ainda não temos a maioria política necessária, nem no Congresso nem na base da sociedade. Desde o início, o presidente Lula colocou a bandeira da reconstrução e da união, para acabarmos com essa polarização muitas vezes odiosa. E o desafio é construir uma nova geração de políticas públicas. O presidente retomou os investimentos, como o Minha Casa Minha Vida e o Farmácia Popular, e fez programas como Pé-de-Meia e a ampliação da transformação digital. Esse é o esforço. Mas penso que o principal desafio é o combate à desinformação. Temos que superar essa fase da fake news, das mentiras, porque isso causa um embaçamento na rede pública.
E para a pesquisa, qual é o desafio?
Um dos grandes desafios brasileiros é que somos o 13º pais em publicações, mas apenas o 50º em inovação. Então o desafio é que a pesquisa se transforme em soluções para a população. E nos debruçamos 24 horas por dia para isso, aproximar universidades e institutos de pesquisa a empresas.
A senhora definiu apoiadores do ex-presidente Bolsonaro como traidores da pátria. Isso será a tônica para 2026?
Imagine que eles usaram a camisa verde amarela. São falsos patriotas, tudo isso está sendo desmascarado. Eles nunca se preocuparam com o interesse nacional do país, sempre foi o interesse próprio do clã. Quem beija a bandeira norte-americana não tem nenhum sentimento nem entende o significado do país ser independente e soberano. É uma coisa triste de se ver. Na semana passada, deputados de direita abriram a bandeira do Trump, o Eduardo vai para os Estados Unidos para atacar o Brasil. É um crime de lesa pátria. (O ex-jornalista e ex-deputado pernambucano) Barbosa Lima Sobrinho dizia que o país só tinha dois partidos: o de Tiradentes, pela independência do Brasil, e o de Joaquim Silvério dos Reis, da subordinação e da traição. O bolsonarismo é esse caso.
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