José da Costa Soares: Padre Henrique, presente! |
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2025-05-27 Neste dia 28 de maio, às 09h30, a Universidade Federal de Pernambuco e o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano prestarão uma homenagem à memória do Padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, descerrando uma placa do projeto “História nas Paredes”, nas dependências da UFPE, a qual será adotada pela Associação dos Docentes da UFPE e pela vereadora Cida Pedrosa. A escolha do mês de maio, mês em que o Padre Henrique foi sequestrado, torturado e morto pela ditadura militar brasileira, não poderia ser mais oportuna, dadas as tentativas recentes de revisionismo histórico assistidas neste país em torno do que foi o golpe de 1964 e todos os seus consectários políticos e humanitários Mas, o que aconteceu com o Padre Henrique? Na noite do dia 26 de maio de 1969, o jovem padre, então assessor direto do arcebispo de Olinda e do Recife Dom Helder Camara, foi sequestrado no bairro do Parnamirim, no Recife (provavelmente, pela mesma rural willys verde e branca, que, menos de trinta dias antes, promovera o atentado que deixara paraplégico o líder estudantil Cândido Pinto, na Ponte da Torre). Na manhã do dia seguinte, 27, o seu corpo foi encontrado na Cidade Universitária, com marcas de espancamento, queimaduras, cortes profundos e três ferimentos produzidos por arma de fogo.
Era clara a motivação do crime: calar Dom Helder Camara Dom Helder era uma personalidade internacionalmente reverenciada, integrando a linha da Igreja Católica que se opunha à ditadura militar, ao lado de outros clérigos, como Dom Paulo Evaristo Arns, Frei Beto e Frei Tito. Um eventual atentado contra a vida do próprio arcebispo provocaria o clamor da comunidade internacional, desnudando, para o mundo, o regime autoritário brasileiro. Era preciso evitar essa exposição, buscando-se um meio indireto. A vida do jovem Padre Henrique, então, aos 28 anos, foi escolhida para esse fim. Após o reconhecimento do corpo, o velório foi realizado na matriz do Espinheiro. A censura impediu a imprensa de divulgar o fato À porta do cemitério, Dom Helder pediu à multidão que deixasse que apenas a família adentrasse, conclamando os presentes a promoverem um silêncio profundo. Anos depois, declarara o Dom da Paz: "era um silêncio que gritava". O hino da Campanha da Fraternidade "Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão" virou um símbolo daquele trágico acontecimento, marcando a resistência à ditadura no Recife. Passados 56 anos, a memória do padre Henrique permanece viva, inspirando todos aqueles que lutam pela causa dos direitos humanos neste país. Justiça não se faz com esquecimento. Link da matéria: https://jc.uol.com.br/opiniao/artigo/2025/05/27/padre-henrique-presente.html
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