Ramal da ferrovia pode impactar toda a economia do Vale do São Francisco

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Ramal da ferrovia pode impactar toda a economia do Vale do São Francisco

 

Economia 

 

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Ramal da ferrovia pode impactar toda a economia do Vale do São Francisco

 

Efeito do trecho Petrolina-Salgueiro foi discutido por técnicos, políticos e academia no segundo encontro do “Conexões Transnordestina - A Ferrovia que Mudará Pernambuco”

 

Lideranças do Vale do São Francisco se reuniram, ontem, em Petrolina, para debater a viabilidade de um  ramal ligando Petrolina e Salgueiro, entroncamento da Ferrovia Transnordestina no Sertão  Central. Para os participantes do  seminário “Conexões Transnordestina – A Ferrovia que Mudará  Pernambuco”, o ramal pode impactar toda a economia do Vale  do São Francisco. 

 

O evento foi coordenado pela  CEO do portal Movimento Econômico, Patrícia Raposo. O portal  integra o braço de comunicação do Grupo EQM, presidido pelo empresário Eduardo de Queiroz Monteiro, que também comanda  a Folha de Pernambuco. O seminário ocorreu na sede do CDL de  Petrolina e tem patrocínio da Sudene e do Governo de Pernambuco.  

 

“O ramal ferroviário Petrolina- Salgueiro vai gerar negócios para  um futuro promissor. O nosso  interesse é ter um plano de trabalho para que esse ramal e o trecho Salgueiro-Suape saiam do  papel e integrem o Nordeste a outras infraestruturas”, disse o  coordenador geral de Estudos e Pesquisas, Avaliação e Tecnologia  e Inovação da Sudene, José Farias, que foi um dos debatedores  do evento. 

 

Convênio 

 

A Sudene fez um convênio com  a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para atualização  dos estudos técnicos do trecho  ferroviário entre Petrolina e Salgueiro. “A nossa intenção é finalizar este estudo ainda este ano”,  comenta o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, que também participou do seminário como debatedor.  

 

O estudo vai mostrar os custos do trecho Salgueiro-Petrolina, os  impactos ambientais, entre outras informações que serão usadas, posteriormente, nos futuros projetos básico e executivo do  ramal Petrolina-Salgueiro. Alfredo informou também que localizou o projeto original, com mais  de 250 caixas do trecho Petrolina- Salgueiro e que as informações  serão digitalizadas. O trecho Petrolina-Salgueiro começou a ser  implantado no início da década de 1990, mas foi paralisado por falta de recursos em 1992. Só chegou a ser realizada uma parte  da terraplenagem. 

 

São Francisco 

 

Também debatedor no evento, o consultor em fruticultura Júnior Silvestre disse que o Vale do São  Francisco “tem grandes oportunidades de crescimento”. No ano  passado, o Vale exportou cerca de US$ 480 milhões em frutas. O  executivo argumenta que a melhoria da logística – com a implantação do trecho férreo Salgueiro-Petrolina “potencializaria” toda a economia da região.  

 

Ele argumentou que a ferrovia também impactaria os insumos comprados pelos produtores do Vale. “Somos um importador de embalagens. Se elas vierem pelo trem, isso se traduz em mais competitividade”, comentou,  acrescentando: “é muito importante ter outras opções de logística ".  

 

A intermodalidade e as vantagens que isso pode trazer ao Vale  do São Francisco e a Pernambuco  também foram a tônica do debate, sendo abordado na apresentação do professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) Rafael Amorim  Viana. “A China é barata porque tem complementaridade entre os  modais. No Brasil, 61% do transporte depende do modal rodoviário ", comentou. O rodoviário é  o meio de transporte mais caro.  

 

Integração 

 

O professor mostrou que os  modais de transporte mais baratos, como o trem e a cabotagem  (navegação entre os portos brasileiros) correspondem, respectivamente, a 21% e 12% de tudo  que é transportado no País. “O  grande desafio é a intermodalidade e fazer a integração com a  hidrovia”, comentou Viana. A hidrovia do São Francisco está desativada, mas se estende por mais  de 1.300km começando na cidade de Pirapora, em Minas Gerais,  e indo até Petrolina. 

 

Adesão  

 

Durante o evento, vários participantes ressaltaram a importância de adesão ao debate de defesa da Ferrovia Transnordestina.  “Vimos aqui no evento que o Vale tem carga suficiente para  que viabilizaria o ramal Petrolina- Salgueiro. É importante esta discussão para colher opiniões diversas, sugestões, seja da academia, dos políticos, dos técnicos  em torno de um projeto fundamental para melhorar a competitividade de Pernambuco. Em  2032, vão acabar os incentivos fiscais e os estados com melhor infraestrutura vão se destacar na  atração de investimentos”, afirmou a CEO do Movimento Econômico, Patrícia Raposo, representando também o presidente  do Movimento Econômico, o empresário Eduardo de Queiroz  Monteiro.  

 

Também compareceu ao evento o ex-superintendente da Sudene, Danilo Cabral: “Não é justo que este projeto tenha o crescimento de forma desequilibrada.  Queremos fazer um debate técnico, mas o que vai fazer a obra  andar é a mobilização política  no sentido republicano”, destacou Danilo. Ele defendeu que as  obras da Transnordestina devem  ocorrer nos três estados: em Pernambuco, no Ceará e no Piauí.  

 

Disputa política  

 

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti, também falou  da necessidade de interligar a futura ferrovia Salgueiro-Suape  com outras conexões como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste  (Fiol), projeto que vai ligar o Porto de Ilhéus, na Bahia, a Figueirópolis, em Tocantins, se conectando a Ferrovia Norte-Sul, que  vai cortar o Brasil no sentido vertical. “Essa disputa é política.

 

A Sudene e a UFPE fizeram um convênio para atualização dos estudos técnicos do trecho ferroviário entre Petrolina e Salgueiro

 

Estamos todos no mesmo palanque em defesa da Transnordestina em Pernambuco”, declarou,  convocando o envolvimento dos pernambucanos.  

 

O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, também afirmou: “Precisamos que as lideranças do Estado  deem os braços para que este  projeto saia do papel, porque depende da decisão política”.  

 

Licitação  

 

O diretor de Empreendimentos da Infra. S. A., André Luís  Ludolfo, confirmou que o edital  para a licitação das obras do trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina vai ser licitado no segundo semestre deste ano. Cerca  de 38% dos 544 km do trecho estão concluídos. O primeiro trecho  a ser licitado vai ser o de 73 km, o  lote SPS 4, entre Custódia e Arcoverde.  

 

Ludolfo disse que a TLSA enviou os projetos para a Infra e que  também serão aproveitados os licenciamentos ambientais feitos  pela antiga concessionária, do SP1 ao SP7, que vão de Salgueiro  até o município de Belém de Maria, na Mata Sul.  

 

Os projetos executivos que estão sendo elaborados são os trechos SP8, de Belém de Maria a Ribeirão, e o SP9, que vai de Ribeirão ao Porto de Suape. “Estamos  cumprindo tudo que é necessário  para que esta obra seja linear e comece com tudo que é necessário”,  resumiu Luiz Adolfo. A previsão  da Infra é de que as obras do trecho Salgueiro-Suape sejam concluídas até 2029 e a estimativa é  de que o empreendimento custe R$ 3,5 bilhões.  

 

Atualmente, a Ferrovia Transnordestina está com o trecho Eliseu Martins-Pecém em obras com  financiamentos aprovados pela  Sudene, enquanto o trecho Salgueiro-Suape está com as obras  paralisadas desde 2016.  

 

Petrolina foi o segundo encontro do Seminário Conexões Transnordestina. O terceiro será em  Araripina, nesta sexta-feira (15). Depois o projeto itinerante vai passar por mais quatro cidades: São Bento do Una, Belo Jardim, Caruaru e Recife.