Ferrovia e fruticultura: debate estratégico para o Vale do S. Francisco

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Ferrovia e fruticultura: debate estratégico para o Vale do S. Francisco

 

Economia 

 

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Folha PE 14.08.2025

Ferrovia e fruticultura: debate estratégico para o Vale do S. Francisco

 

A fruticultura do Vale do São Francisco é um dos motores mais vigorosos da economia nordestina. Responsável por 78% das frutas exportadas pelo Brasil,  movimentou em 2024 cerca de US$ 480 milhões apenas com manga e uva, símbolos da produção local. Ainda assim, o  país ocupa apenas a 23a posição no ranking global de exportadores, apesar de ser o 3o maior produtor mundial, atrás  de China e Índia. 

 

Esse descompasso é resultado de um conjunto de gargalos logísticos e estruturais que encarecem os  custos e reduzem a competitividade da produção. E um ramal ligando o Vale à Ferrovia Transnordestina pode ser uma  saída para as frutas e outros produtos da região ganharem o mundo.  Esse foi o tom do debate que reuniu autoridades, produtores, especialistas e representantes do setor privado,  nesta quarta-feira (13), em Petrolina, durante o seminário  Conexões Transnordestina – A Ferrovia que Mudará Pernambuco, iniciativa do Movimento Econômico, que faz parte do Grupo EQM, com apoio da Sudene e Governo do Estado. O encontro, o segundo de uma série de sete que vão  ocorrer em vários municípios, discutiu a proposta do ramal ferroviário Petrolina–Salgueiro, cujo estudo de viabilidade é conduzido pela UFPE, em parceria com a Sudene.  

 

Atualmente, as frutas do Vale seguem principalmente pelos portos de Salvador, Pecém e Fortaleza, sem passar por  Suape. O porto baiano, embora mais próximo, enfrenta atrasos e viagens mais longas até a Europa. Pecém e Fortaleza  oferecem rotas até cinco dias mais curtas, mas o custo rodoviário até lá pesa na margem do exportador. Para culturas como a manga, cada dia no transporte influencia diretamente a qualidade e o valor no mercado.  

 

O ramal ferroviário até Suape pode reduzir custos e  tempo de viagem, ampliando a competitividade internacional e diversificando mercados. O impacto seria multiplicador: mais negócios, empregos e renda em cidades como  Juazeiro, Lagoa Grande e Casa Nova. A integração beneficia também outros setores, como a cana da Agrovale, e  fortaleceria o posicionamento do Vale como hub logístico e produtivo. 

 

Com negociações do Acordo Mercosul–União Europeia em andamento e riscos como o tarifaço de 50% dos EUA sobre a manga brasileira, resolver o gargalo logístico é mais que urgente. O evento em Petrolina deixou claro: a ferrovia é  peça-chave para transformar o potencial em resultados concretos para o Nordeste. E as lideranças locais presentes no  evento conclamaram a união de todos em torno do tema.  

 

ROTA ATUAL  

 

Em 2023, o Porto de Salvador embarcou 3.249 contêineres de frutas do Vale, seguido por Pecém (1.352)  e Fortaleza (708). Suape e Santos não participam desse fluxo.  

 

TEMPO É DINHEIRO 

 

Rotas via portos cearenses encurtam até cinco dias  de viagem para a Europa, vantagem crucial para frutas sensíveis como a manga.  

 

DIVERSIFICAÇÃO 

 

As exportações de uvas do Vale têm como destinos UE (46%), EUA (23%) e Reino Unido (20,9%). No caso da manga, a UE absorve 70% das exportações. 

 

MAIS EMPREGOS  

 

A fruticultura eleva o IDH e gera milhares de postos de trabalho no Sertão. Logística mais eficiente amplia esse impacto.  Insumos mais baratos  Com a ferrovia, embalagens e outros insumos poderiam chegar por trem a Petrolina, barateando custos ao exportador.  

 

INTEGRAÇÃO REGIONAL  

 

A ferrovia também atenderia a outros setores, consolidando o Vale como polo logístico estratégico para  o Nordeste.