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Vídeo de dança de aluna da UFPE vence concurso da revista Science PDF Imprimir E-mail

31/10/2017

A doutora em Biologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Natália Oliveira, que concorria no concurso Dance Your PhD, venceu a competição pelo voto popular. O vídeo, baseado na tese "Desenvolvimento de Biossenssores para as Ciências Forenses", foi o preferido de 78% dos internautas que participaram da votação no site da revista americana Science, que promoveu o concurso.

A proposta era que cientistas de todo o mundo apresentassem suas teses de forma divertida, didática e interpretativa. Ou seja, a dança precisava ser atrativa, mas ao mesmo tempo explicar
qual era a tese do trabalho e como ela funciona. Foram dez dias de votações, período no qual Natália concorreu com outros 11 trabalhos, que se dividiram em quatro áreas de pesquisa: biologia, química, física e ciências sociais. O vídeo de Natália se enquadrou em química.

O vídeo ganhador de cada uma das quatro categorias leva para casa o prêmio de U$ 2,5 mil. O vencedor de todas as categorias, escolhido por uma comissão de renomados cientistas e
dançarinos, de acordo com o site do concurso, ganha ainda uma viagem para a cidade de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos, para participar de um congresso anual de pesquisa, que acontece em fevereiro de 2018.

CSI

O vídeo foi gravado em parceria com o grupo Vouge 4 Recife, no espaço do Laboratório Keizo Asami, na UFPE, e em lugares turístico do Recife. Na dança, os integrantes formaram dois
grupos e criaram uma história no estilo CSI, quando um deles é assassinado pelo membro da outra equipe. A partir daí, começa a busca pelo responsável pelo homicídio utilizando as técnicas empregadas na tese que Natália defendeu. 

 

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ESTUDANTES DA UFPE EXPLICAM CONFRONTO COM FÃS DE OLAVO DE CARVALHO PDF Imprimir E-mail

30/10/2017

NOTA DO COMITÊ DE LUTA CONTRA O GOLPE DA UFPE ACERCA DOS FATOS DO DIA 27/10

1 – Há alguns dias, cartazes no campus da UFPE divulgaram que, no dia 27 de outubro, seria exibido o filme “O Jardim das Aflições”, dirigido por Josias Teófilo e baseado na obra do astrólogo Olavo de Carvalho.

2 – Cientes da afronta que a exibição do filme representava aos estudantes – visto que Olavo de Carvalho é uma figura que atrai neonazistas, simpatizantes de Bolsonaro, intervencionistas e todo o tipo de facção de extrema-direita -, os membros do Comitê de Luta Contra o Golpe da UFPE optaram por realizar uma atividade paralela no mesmo horário.

3 – A atividade proposta pelo Comitê de Luta Contra o Golpe foi chamado de “Cine-debate: abaixo a ditadura militar!”. Na programação do evento, constava uma plenária, prevista para ocorrer entre 16h e 17h, a exibição de um documentário, previsto para ocorrer entre 17h e 18h, e um debate, previsto para ocorrer entre 18h e 20h.

4 – O documentário destacado foi “Porque lutamos! Resistência à ditadura militar”, de Fernanda Ikedo. O local escolhido para o evento foi o estacionamento do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da UFPE. A atividade foi devidamente protocolada junto à Reitoria da Universidade.

5 – A notícia de que faríamos o evento irritou os interessados em assistir “O Jardim das Aflições”, bem como o diretor do filme e os fãs de Olavo de Carvalho. Assim, essas pessoas passaram a ridicularizar o evento e espalhar calúnias e ameaças.

6 – Diante da reação dessas pessoas, o Comitê de Luta Contra o Golpe da UFPE e o Partido da Causa Operária (partido responsável por impulsionar os diversos comitês de luta contra o golpe que existem no país) utilizaram, respectivamente, sua página no Facebook e sua imprensa online para explicar o intuito do evento, desmascarar as intimidações e afirmar que não permitiríamos que nosso evento fosse boicotado pelos que assim pretendiam.

7 – Como resposta, os interessados em assistir “O Jardim das Aflições”, bem como o diretor do filme e os fãs de Olavo de Carvalho divulgaram textos caluniosos alegando que o PCO estaria incitando ataques contra o diretor e o produtor do filme e incentivando pessoas a arrancarem os cartazes que divulgavam o filme “O Jardim das Aflições”. Replicamos que isso era uma calúnia, pois em nenhum momento incitamos ataques, boicotes ou censuras, mas que reiterávamos nossa posição diante do fascismo: se fôssemos provocados, reagiríamos com toda a força da união dos estudantes.

8 – As pessoas que tinham interesse em se deslocar para o auditório em que seria exibido o filme “O Jardim das Aflições” o fizeram sem qualquer problema. Nem o Comitê de Luta Contra o Golpe nem os estudantes que estavam em nossa atividade intimidaram ou agrediram os interessados no filme.

9 – Por outro lado, em nossa atividade, que foi realizada em um espaço aberto, circulavam livremente skinheads, neonazistas e pessoas com camisas exaltando Bolsonaro. Ressaltamos que nenhuma dessas pessoas foi ver o filme, nem sequer eram estudantes da UFPE. Além disso, parte dessas pessoas estavam portando armas brancas, como soco-inglês. Esse fato evidencia que havia um grupo contratado na UFPE apenas para intimidar os estudantes que queriam promover o cine-debate. Em outras palavras, uma milícia fascista.

10 – Durante a nossa atividade, vários membros dessa milícia fascista ficaram no estacionamento, filmando e observando a atividade. Embora tenhamos entendido isso como uma afronta, nenhuma resposta foi dada às provocações.

11 – Após 16h30, quando nossa atividade já reunia mais de 200 estudantes, durante a fala de uma companheira do Levante Popular da Juventude, o grito “nazistas, fascistas, não passarão” foi bradado por todos os estudantes que estavam no estacionamento. Logo depois, um skinhead cruzou o estacionamento, tentando provocar os participantes da atividade. Nesse momento, um militante do PCO encarou o skinhead e exigiu que ele saísse daquele local, uma vez que o Comitê de Luta Contra o Golpe da UFPE já havia reservado o espaço para uma atividade antifascista e que ele tinha toda a liberdade para ir para o auditório. O skinhead voltou para seu lugar e não houve conflito.

12 – Por volta das 17h, teve início a exibição do nosso documentário. Mais uma vez, um membro da milícia fascista veio provocar os estudantes, pregando cartazes de Olavo de Carvalho no espaço onde estávamos realizando a atividade. Nesse momento, os organizadores do cine-debate o cercaram, arrancaram o cartaz e deram 10 segundos para ele sair do local. Irritado, ele saiu e chutou parte da estrutura montada pelo Comitê de Luta Contra o Golpe da UFPE para a realização do evento, chegando a quebrar uma cadeira. Em seguida, saiu correndo.

13 – Por volta das 17h30, quando tivemos a informação de que a exibição do filme “O Jardim das Aflições” já havia terminado, interrompemos a exibição do nosso filme e discutimos com os estudantes a necessidade de se formar uma comissão de segurança para garantir que a milícia fascista não tentasse interromper nossa atividade pela força. A partir daí, organizamos uma “corrente humana” na porta do prédio.

14 – Por causa do clima tenso no estacionamento, a diretora do CFCH abriu a porta traseira do centro, buscando evitar qualquer confronto direto. No entanto, embora muitas pessoas tivessem saído, a milícia fascista permaneceu e começou a fazer ameaças aos estudantes. A orientação que demos foi a de que os estudantes permanecessem na corrente de segurança, protegendo os participantes de nossa atividade, enquanto designamos uma outra comissão para desmontar rapidamente a estrutura montada para o cine-debate. Afinal de contas, como um conflito direto parecia inevitável, decidimos guardar as cadeiras, mesas, retroprojetor, notebook e outros materiais.

15 – Embora em nenhum momento tenhamos incitado nenhum estudante a atacar a milícia fascista, orientamos para que a corrente de segurança fosse fortalecida e que, caso fôssemos atacados, iríamos responder com a força da união dos estudantes. Por uma questão de estratégia espacial, transformamos a corrente em um enorme bloco de estudantes, que ocupou o corredor do CFCH e se impôs diante da ameaça da milícia fascista.

16 – Durante algum tempo, a milícia fascista continuou provocando. Os estudantes, no entanto, respondiam com gritos de “nazistas, fascistas, não passarão”. No entanto, o conflito entre os estudantes e a milícia fascista foi inevitável. Um segurança do CFCH, por sua vez, se posicionou claramente ao lado da milícia fascista, na medida em que estava tentando conter os estudantes. Lembramos aqui que o servidor deveria, acima de tudo, zelar pela segurança dos estudantes – e não pela segurança de um grupo externo contratado para bater neles.

17 – Quando iniciado o confronto, destacamos três companheiros para finalizar o desmonte da estrutura e nos juntamos e convocamos todos os demais estudantes para se unirem e expulsar da Universidade a milícia fascista pela força.

18 – O conflito, que não durou muito, foi extremamente vitorioso para os estudantes. A milícia fascista inteira foi expulsa e saiu correndo, temendo a força dos estudantes unidos.

 

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UFPE lamenta confusão em exibição de filme no campus Recife PDF Imprimir E-mail

29/10/2017

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) lamentou o episódio de violência registro nessa sexta-feira no campus Recife, durante exibição do filme O Jardim das Aflições, que mostra vida, obra e pensamento do filósofo Olavo de Carvalho. A atividade, que fazia parte de uma disciplina de sociologia, levou o escritor Ronaldo Castro de Lima Júnior e Josias Teófilo, diretor do filme, ao Auditório Barbosa Lima Sobrinho, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH). Algumas pessoas que foram ver o documentário, no entanto, estariam munidas de soqueiras e trajando blusas com a imagem do deputado federal Jair Bolsonaro. Outros estudantes se revoltaram e, com camisas vermelhas do Partido da Causa Operária (PCO), tentaram impedir a passagem de quem queria ver o filme.

As imagens de um vídeo que circula nas redes sociais mostram que a confusão começou ao fim da exibição. Quando os espectadores deixaram o auditório, estudantes bloquearam a passagem e gritavam palavras de ordem. Um univeristário que usava uma camiseta com a imagem de Bolsonaro foi empurrado, e a confusão começou. Dois grupos trocaram socos, chutes, empurrões e agressões verbais. "A situação já foi controlada. Não houve feridos e nem depredação da instituição. Rapidamente, fomos acionados e estamos monitorando. Foi acirramento por questões políticas sem ocorrências mais graves", esclareceu o Superintendente de Segurança da UFPE, Armando Nascimento.

O tumulto no campus foi registrado por volta das 16h20. "Na hora em que chegamos, não detectamos ninguém com soqueira. Eles disseram que usaram para se proteger, mas nenhuma arma desse tipo foi encontrada. Devem ter corrido ou escondido", complementou. Cerca de 70 estudantes tentaram impedir a exibição do documentário. No auditório, havia, aproximadamente, 200 alunos.

Na noite desse sábado, a UFPE se posicionou oficialmente sobre o ocorrido. Confira a nota enviada pela instituição:

A Universidade é o lugar da diversidade, da pluralidade de ideias e do respeito às diferenças, onde a existência de ideologias políticas opostas não pode ser catalisadora de agressões verbais ou físicas. As cenas de violência entre estudantes ocorridas ontem (27) na UFPE são lamentáveis e devem ser repudiadas por todos. O debate é bem-vindo, sempre, mas a intolerância deve ser firmemente rechaçada. A Universidade defende os valores democráticos, os direitos individuais e a busca permanente por justiça social.

Neste momento, é importante esclarecer que não procede a informação de que um servidor da Administração Central envolveu-se nesse episódio. Não existe na UFPE técnico ou docente com o nome indicado em posts, comentários e mensagens enviadas para a Universidade por meio das redes sociais, conforme apuração já realizada. Por fim, conclamamos a comunidade universitária para uma reflexão sobre o cenário atual, tendo como referência princípios de equilíbrio, ética e respeito.

 

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Confusão na UFPE sobre filme de Olavo de Carvalho cai nas redes sociais PDF Imprimir E-mail

29/10/2017

Depois das agressões físicas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na última sexta-feira (27), a polêmica continua nas redes sociais. A confusão começou após a exibição do documentário “O Jardim das Aições”, que retrata o pensamento do lósofo conservador Olavo de Carvalho. Na saída do local de exibição, manifestantes que se identicam com a ideologia de esquerda bloquearam uma das saídas do Centro de Filosoa e Ciências Humanas (CFCH) e gritaram palavras de ordem para quem deixava o auditório. O bate-boca terminou em briga e deixou feridos.

Passado o episódio, as páginas da UFPE e da Assessoria de Comunicação da universidade nas mídias sociais estão sendo atacadas. A maior parte dos comentários no Facebook e no Twitter acusa a universidade de ter sido parcimoniosa com os manifestantes. Há comentários chamando a universidade de “prostíbulo petista” e de “fábrica de socialistas” e até acusando professores de serem “vagabundos, endeusando lixos como Stalin e Che Guevara”. Durante a confusão, dois seguranças da universidade tentaram conter, sem sucesso. A Polícia Militar não chegou a ser acionada. Uma assessora da UFPE disse em seu perl no Facebook que está sendo vítima de comentários postados por pers fakes nas redes, tentando vincular seu comportamento à ideologia de esquerda. O JC procurou o reitor da UFPE para se posicionar sobre a confusão da última sexta-feira, mas foi informado que a universidade se pronunciaria apenas por meio de nota. Em comunicado distribuído com a imprensa e publicado nas redes no último sábado (28), a instituição repudiou a intolerância.

COMUNICADO

“A Universidade é o lugar da diversidade, da pluralidade de ideias e do respeito às diferenças, onde a existência de ideologias políticas opostas não pode ser catalisadora de agressões verbais ou físicas. As cenas de violência entre estudantes ocorridas ontem (sexta, 27) na UFPE são lamentáveis e devem ser repudiadas por todos. O debate é bem-vindo, sempre, mas a intolerância deve ser rmemente rechaçada. A UFPE defende os valores democráticos, os direitos individuais e a busca permanente por justiça social”, diz a nota. O lósofo Olavo de Carvalho também usou as redes para lamentar a confusão. “No lme 'O Jardim das Aições' não há uma cena, uma palavra que possa ferir a sensibilidade de um esquerdista normal (se algum existe ainda)”, alnetou.

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Vencida a segunda denúncia, o que esperar da reta final do governo Temer? PDF Imprimir E-mail

26/10/2017

 

Passados mais de cinco meses desde que estourou sobre o Planalto a bomba da delação da JBS, o presidente Michel Temer conseguiu na quarta-feira enterrar a segunda denúncia que ameaçava tirá-lo do cargo, embora com um placar um pouco menos favorável do que na primeira. Foram 251 votos contra a denúncia, ou seja, pouco menos da maioria simples (257 deputados). A oposição no entanto, conseguiu apenas 233 votos favoráveis à possibilidade de um julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultado longe dos 342 necessários.

Firme na cadeira de presidente, mas com uma base já não tão forte, Temer agora vai retomar seus esforços reformistas tendo pela frente outro importante obstáculo - a proximidade cada vez maior das eleições de 2018. Sua maior prioridade agora é aprovar a polêmica reforma da previdência, que o governo argumenta ser essencial para equilibrar o rombo nas contas públicas.

Ouvidos pela BBC Brasil, parlamentares, analistas políticos e empresários consideram a tarefa difícil na medida em que cai a disposição de deputados e senadores em se indispor com o eleitorado que vai às urnas no próximo ano.

A expectativa é que seja aprovada uma versão mais modesta da proposta que vinha sendo debatida até a constrangedora conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista, gravada tarde na noite no dia 17 de maio, a portas fechadas no Palácio do Jaburu.

No cenário ideal do governo, a reforma será aprovada em novembro na Câmara dos Deputados e até março no Senado. Depois disso, a fervura eleitoral tende a inviabilizar qualquer pauta mais sensível, reconhecem políticos da base.

Após a votação de ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, admitiu que o projeto aprovado no início de maio na comissão especial - que já havia sofrido alterações em relação à proposta inicial do governo - deve passar por mais mudanças no plenário da Casa.

"Claro que vamos precisar reduzir o tamanho da reforma. Vai ser difícil (aprovar), mas mais difícil vai ser entrar 2018 num incêndio fiscal", argumentou Maia.

"Mesmo que se vote esse ano (na Câmara), não será suficiente para o que o Brasil precisa", reconheceu também o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).


'Proposta justa'

Um dos pontos alvos de disputa, por exemplo, é a adoção de uma idade mínima para aposentadoria, que o governo pretendia fixar em 65 anos para homens e mulheres. Na comissão, a exigência baixou para 62 no caso das mulheres.

No plenário, outro aliado de Temer, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP), mais conhecido como Paulinho da Força, quer que a idade mínima caia para 60 anos para homens e 58 anos para mulheres. Defende também regras de transição mais suaves.

"Se o governo fizer uma proposta justa (para a previdência), acho que é possível aprovar. Eu topo até ajudar. Agora, se for essa que está aí, não consegue aprovar, não. Entrando ano eleitoral, nenhum deputado é maluco de se enterrar junto com o governo", prevê Paulinho.

O governo, por sua vez, defende que fixar uma idade mínima mais alta é uma medida justa, com impacto sobre os trabalhadores de maior renda que hoje, na sua maioria, se aposentam cedo, por tempo de contribuição.

Um dos principais aliados do presidente, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) diz que a idade mínima e o "fim dos privilégios de servidores públicos" (acabar com aposentadoria com valor integral e a paridade com servidores da ativa) são pontos de que o governo não abrirá mão. Apesar de Temer contar com apenas 3% de aprovação em pesquisas de opinião, o deputado sustenta que o governo conta com outro tipo de apoio para conseguir aprovar a reforma.

"O governo não tem popularidade, mas tem as forças produtivas, tem a base política (no Congresso), tem a maioria da imprensa, tem as elites, que ajudam", ressaltou.

Apesar da confiança do governo na força do empresariado, José Augusto Fernandes, diretor de políticas e estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra-se pouco confiante com a aprovação da reforma. À BBC Brasil, ele disse que o setor está mais otimista com mudanças que exijam apenas maioria simples dos parlamentares (alterações na previdência, por mexerem na Constituição, demandam três quintos dos votos no Congresso).

Para o próximo ano, ele vê boas perspectivas para a aprovação de novas regras que fortaleçam as agências reguladoras, assim como a alteração dos processos de licenciamento ambiental. Essa última pauta sofre forte resistência de ambientalistas. Segundo eles, a proposta articulada pela base governista e o setor privado vai flexibilizar o licenciamento, trazendo grandes riscos ao meio ambiente.

Já a reforma tributária, outra promessa de Temer, vai ficar para o próximo governo, acredita Fernandes. No máximo, deve ser aprovada a proposta de simplificação das informações que as empresas devem fornecer aos fiscos federal e estaduais para evitar duplicações.

"É positivo, mas não é revolucionário", diz Fernandes.

'Temer não é Sarney'

Apesar do cenário difícil, o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diz acreditar que Temer não desistirá facilmente de modificar a previdência, já que tenta emplacar o reformismo como marca de seu impopular governo.

Embora as comparações com presidente José Sarney (1985-1990), que governou enfraquecido por escândalos de corrupção e grave crise econômica tenham aumentado desde que Temer foi gravado por Batista, Lavareda vê diferenças importantes entre os dois peemedebistas.

Na sua visão, o fato de a economia dar sinais de retomada indica alguma chance de Temer recuperar um pouco de popularidade no próximo ano, na medida em que aumente a geração de emprego. O cenário é bem diferente do final do governo Sarney, quando a hiperinflação criou caos econômico no país. Os anos 80 entraram para a história como a década perdida.

Outro fator que dá alguma força a Temer, observa, é o controle que ele tem do PMDB, partido do qual era presidente até assumir o comando do país. Sarney, por sua vez, era neófito na legenda quando virou presidente.

Maior partido do país, com o maior número de prefeituras, "é o aliado dos sonhos" nas campanhas majoritárias (disputas para presidente, governadores e senadores), ressalta Lavareda.

"No caso do Temer, o PMDB é um ativo que lhe reforça. É o partido com maior capilaridade no país e com mais tempo de propaganda em rádio e tv", acrescenta.

Lava Jato passou?

Se permanece a dúvida sobre que força Temer terá para governar, a incerteza sobre seu governo chegar ao fim caiu sensivelmente.

Para Esther Solano, professora de sociologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a operação Lava Jato perdeu potencial de impacto sobre o destino do presidente.

Embora ainda pairem ameaças, por exemplo o risco do ex-ministro Geddel Vieira Lima fechar um acordo de delação, Solano vê pouco espaço para mobilização popular em torno da pauta anticorrupção, tanto de movimentos mais à direita como à esquerda.

"A gente percebe um ponto de saturação social (com as denúncias). Chegou-se ao ponto de que o brasileiro acredita que todo o sistema é corrupto. O efeito é um sentimento antipartidário generalizado, não um movimento articulado contra o presidente", observa.

"A queda de Temer já não interessa a nenhuma força política. O foco agora está na eleição de 2018", acrescenta.

 

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